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UMA COISA NOTÁVEL

A Babilônia está em chamas – disse ele, enquanto servia mais um drink – e aqui estou, em um mundo ao qual não pertenço mais.

Lá vem, – ela pensou – mais um artista underground, bêbado, velho e com mais uma crítica de como qualquer coisa era melhor no passado.

“Eu sou mais rápido que você. Sou mais forte que você. E com certeza, vou durar muito mais que você. EU NÃO SOU O FUTURO, VOCÊ É. Se eu pudesse desejar alguma coisa, desejaria ser humano. Para saber o que significa ter sentimentos. Ter esperanças. Ter angústias. Dúvidas. Amar. Eu posso alcançar a imortalidade: basta não me desgastar. Você também pode alcançar a imortalidade: BASTA FAZER ALGUMA COISA NOTÁVEL…” – descreveu a propaganda que o colocara ali e continuou – esse é o tipo de propaganda que te faz sentir-se um traste. Mas então o que me leva a comprar este uísque se já não me sinto como ele? Um velho bem vivido e que continua caminhando. Vai ver é só porque bitter é bom, mas o uísque é melhor, e se vagorosa é  a morte com bebida, as festas Walker são as melhores.

A pior parte foi que ela concordou com ele.

Eu nunca ligo a Televisão, nunca vi esta propaganda, estou aqui pelo simples fato de abrir uma revista. Uma nota de canto: “Não perca, Keep Walking. O uísque que te dá uma festa. Compre sua garrafa e garanta sua entrada.” – concluiu.

Fato é que amanhã será o notícia no jornal. Um amontoado de pessoas, no fim da civilização do oeste, tão desesperados para sentir alguma coisa que acreditam que afogaram suas amarguras no sonho de vida que lhes é vendido. Salve o uísque. – disse, pouco antes de saírem juntos.

Na banquinha de jornal, do outro lado da rua, no dia seguinte, a manchete: “Após festa do uísque Walker, senhor conduz embriagado e tira vida de jovem.”

Semana passada eu fui para o 17º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, com uma galera da universidade. Pra quem estava lá algumas palavras ou frases seriam mais que o suficiente para relembrar toda a bagunça e alegria que envolveram aqueles três dias. Mas para quem não foi, um breve relato:

Chegamos em Gramado meio dia de quarta (3) e com muita fome. Achado um restaurante fomos pescar um barzinho pra tomar aquele aperitivo, pra iniciar bem. O bar encontrado era um clássico, com propagandas de alguns anos penduradas na parede e um clima totalmente jogatina, já dava o enrredo que a viagem seria inesquecível.

Antes de ir para o evento, pela tarde fizemos uma breve visita a alguns pontos turisticos da cidade, entre eles o Lago Negro. Apesar de toda a história dele e beleza natural, o que estava realmente afudê lá era toda a gurizada de várias cidades sentadas em volta, no gramado, curtindo um solzinho de meio de tarde no frio do Rio Grande de Sol. É uma imagem que não sairá de minha mente muito cedo.

Ah, o festival. Os nomes falavam por si próprios. Mas a verdade é que algumas palestras não passaram de painéis. Porém, muita coisa boa foi dita, e pra bom entendedor meia balavra basta, certo? Deveras é que apenas o fato de estar ali, respirando publicidade de todos os lados, com o feeling do momento, é algo que não tem preço. Como diria Walter Longo, em uma exclusiva concedida aos acadêmicos da Uniasselvi, evento é uma coisa única, pois você encontra muita gente interessante, e no fundo, gente continua sendo muito mais divertido e interessante que tecnologia.

Alguns acadêmicos em parceria com o NACOM – Núcleo de Apoio a Comunicação da Uniasselvi ainda fizeram a cabertura do evento para o Acontecendo Aqui,  e eu, apesar de nao contribuir muito, estava sempre junto dando apoio.

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Teve também as baladas, os banho frios, o chimarrão as quatro da matina, o vinho, e toda aquela mulherada linda, muito linda mesmo. Enfim, coisas que quem foi sabe, e não esquecerá.

Abraços.

GOD HATE US ALL

Estar sozinho em casa no domingo é uma alegria, ninguém te acordando para ir almoçar, e sem preocupações com o que fazer ou quando fazer. Afinal, a casa é toda sua. Mas toda vez que eu tenho esses domingos, quase sempre caio em um dia de nostalgia, não sei porque.

Estava assistindo a primeira temporada de Californication desde que acordei, o que é uma coisa que não canso de fazer. House e Jack Bauer podem ter feito ótimas temporadas e tudo o mais, mas Hank Moody sempre será Hank Moody. O fato é que isso me lembra os bons tempos da cidade velha e levaram-me a pensar: será que eu não funciono aqui tão bem quanto lá?

Mesmo estando longe, eu ainda tenho contato com a old town, afinal vivemos na era da comunicação tecnológica, mas aqui eu não me sinto tão inpirado quanto lá. O que é um paradoxo, pois tenho estudado e obtido muito mais conhecimento aqui do que lá, o que deveria ser inspirador. Talvez seja só a falta dos amigos ou a falta de tempo para dedilhar o velho violão. Porém, o problema parece ser um pouco mais profundo.

Acho que a pouca criatividade vem pela falta de pessoas inteligentes ao meu redor, o que é complicado, e que nenhum novo amigo leia isto, um tanto desanimador. Mas voltando a Californication..hank

E eu aqui blogando, como diria o próprio Moody, um auto-ódio.

APENAS UM RAPAZ

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Apesar de amar o frio, morava numa cidadezinha do interior, não muito distante da capital, de clima muito quente. Também estava longe de ser uma cidade movimentada. Porém alguns lugares nela lhe remetiam a uma beleza dentro da nostalgia a qual era levado, principalmente ao crepúsculo,  e muitas vezes era melancólica.

Era dividido entre o intelecto e a boemia, e tentava desorientadamente alcançar harmonia entre os dois. O intelecto não era ruim. Apaixonado por cultura e comunicação, gostava de analisar todo o movimento e acontecimento dentro da filosofia à qual se davam. Já sua vida noctívaga era tumultuada, entorpecida e nem sempre lembrada.

Apesar de conhecer poucas obras clássicas, dizia-se fã de fotografia e, por conseguinte, de cinema. Também cultivava uma paixão por obras neo-expressinista e surrealista. Achava o pop-art superficial e, ao mesmo tempo, profundo, e tinha uma admiração por Basquiat e a Art Nouveau. Mas não entendia quase nada sobre arte.

Nas horas livres gostava de ler. Adorava o humor ácido que alguns autores lhe traziam, mas sua obra preferida era um simples soneto. Tentava aprender a manter romantismo que os livros lhe traziam – não aquele de dar flores e abrir a porta do carro, e sim o de não estragar o momento.

E fora tudo isso era apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.

SOBRE TUDO E NADA

Então, uma postagem rápida sobre fatos alheios.

Meus cachorros fugiram. Em um descuido de minha vó, o portão ficou aberto e eles se foram. Como eram macacos velhos e não conheciam a cidade nova, devem ter tentado voltar para casa. São 250 km para eles chegarem lá. Mas se os cachorros daquele filme da sessão da tarde conseguiram, os meus também conseguirão.

Outra coisa que me deixa triste é meu serviço. Eu sou empacotador. Nada contra os empacotadores, mas é um serviço indigno, principalmente pelo horário. Mas no supermercado que eu trabalho ainda tem umas coisas boas, como quem trabalha lá, que em grande maioria é gente boa.  Tem também uma videoteca disponível. Não tem grandes clássicos, mas tem vários lançamentos, que dão para entreter no final de semana.

Sobre a faculdade, ela é uma das poucas coisas que tem me trazido alegria. Seja pelo curso, seja pela gurizada da sala, sejam pelos professores ou whatever. Tudo lá me traz alegria. Eu acho que realmente acertei em escolher Publicidade e Propaganda.

Agora só me resta escolher se vou para o show do Oasis em maio e corro o risco de ficar sem grana para o Festival Mundial de Publicidade de Gramado, ou se não vou ao show e garanto minha presença no festival.

Abraços.

JESUS APAGA A LUZ?

Salve gurizada!

Então, vida na cidade nova ta uma doidera. Correria doida por causa da faculdade e quarta já começo a trabalhar, mas ta divertido. Mas hoje eu vou contar como foi minha primeira balada por aqui, tudo começou sábado.

Estava eu, reunido com toda a família, na festa de 35 anos de casado de meus tios. Aquela história toda de festa de família, até que minha prima teve uma boa idéia:

- “Já que é o primeiro fim de semana do Luís aqui, vamos levar ele pra balada.”

Show de bola. Uma baladinha era uma ótima pedida pra começar minha vida na cidade nova. Ainda mais depois de uma festa de família. Então acertamos que iríamos numa boate em Blumenau, cidade do lado de Timbó, onde agora é minha humilde residência. Boate essa que era conhecida de minhas primas há muito tempo, mas elas não iam lá há quase mais tempo ainda. Fomos eu, minha prima, minha outra prima e seu noivo.

Chegando lá, a primeira vista não foi algo muito reconfortante, muito menos cativante. Na frente da boate estava uma galera boa, bonita e elegante, no melhor estilo de sarcasmo, reunida. Mas enfim, já estávamos ali, então resolvemos entrar. Ingressos adquiridos, adentramos o recinto.

Aí é que o negócio ficou bom. Logo na entrada encontramos um segurança que era amigo do noivo de uma prima minha, e ele logo nos informou que aquele sábado, era o sábado do baile funk. Como cantaria Maísa, da mini-série da TV, “meu mundo caiu”. Nessa hora tudo fez sentido. As pessoas que estavam fora e as que estavam dentro, que eram iguais as que estavam fora, e estavam adequadamente produzidas para o evento.

Pra quem, assim como eu, está acostumado à baladas alternativas e barzinhos underground, é um choque estar em uma festa destas. Mas continuamos no bom humor, na alegria de viver a vida, e com um bônus de conhecer o segurança, o que pode ser importante em um lugar destes.

Fomos para o camarote, que era um lugar menos pior na festa. Com urgência a bebida foi fornecida, e duas garrafas de vodca e algumas latas de refrigerante depois, até já arriscávamos uma dancinha, imitando os seres do recinto e se acabando de rir de tudo.

Sobrevivemos à noite. Mas sem dúvidas na próxima balada aqui no desconhecido, me informarei sobre o local antes de ir.

P.s.: A bebida torna tudo mais fácil, bonito e divertido, mas se beber, não dirija!

NA HORA DA MUDANÇA

mudancaMudar é quase sempre uma alegria. Casa nova, pessoas novas, tudo novo. Deixar as coisas tanto conhecidas para traz e instigar um espírito aventureiro atrás de algo novo, um lugar onde você não é ninguém e vai começar do zero.

Mudar, porém, tem seus lados melancólicos. Deixar os amigos, o clima já conhecido, o chuveiro querido. E ainda, tem coisas que são realmente ruins na mudança. Dar adeus seria um bom exemplo aqui, mas quem já se mudou sabe que o ato da mudança em si é uma dor de cabeça atroz.

Encaixotar tudo, colocar no caminhão e pegar a estrada, tudo isso é deveras muito cansativo e preocupante. Imagine todas as suas coisas dentro de caixas empilhadas e piladas, balançando e pulando dentro de um caminhão. Eu passei o tempo todo pensando: “Se arranhar minha guitarra eu vou chorar”.

Mas enfim, chegando ao destino, com tudo já descarregado e devidamente empilhado em algum canto, localizei minha guitarra. Minha linda Epiphone G400 estava intocada, chegou do jeito que havia saído de casa. Mas foram momentos de tensão.

Agora o problema tem sido achar o resto das coisas, inclusive minhas cuecas. E não, não estou usando a mesmo mais de um dia, eu comprei novas. ;D

mate

Deus, para compensar o tamanho do meu nariz, me fez nascer com desvio de septo. Praticamente, meu nariz enorme era só enfeite, porque eu não conseguia respirar bem. Mas isto agora é passado. Semana passada eu resolvi este problema, com auxílio de um médico, uma anestesia geral, e alguns – segundo a enfermeira – delírios de estar no show dos Beatles.

Meu nariz ainda não está operando 100%, está em processo de recuperação, mas em uma semana os apelidos como “ladrão de oxigênio” ou “não existe fumante passivo do seu lado” logo terão razão de ser ditos. Mas uma realidade é certa, nariz grande é pra quem pode e ainda digo que narigudo tem mais sucesso entre a mulherada.

Mas indo direto ao assunto, o que tem me torturado nesse processo de recuperação é a abstinência. Não poder sair tomar uma cerveja com os amigos, ou pegar um solzinho descansado no banco da praça enquanto todo mundo tem que trabalhar, é muito ruim. Mas isto ainda não é o pior. O que vou relatar agora é o real motivo de meu sofrimento nestes dias de ficar em casa.

Ficar de recuperação é até agradável. Dormir, comer, ler, ver filme, dormir e repetir do início. Parece bom, não? Seria, se estivesse incluído ali chimarrão. Ah o bom e velho amargo mate do dia a dia. Ter que ficar em casa e não poder estar desfrutando desta dádiva é um crime. Eu até tomo um mate gelado, mas não é a mesma sensação nem o bom e tradicional gosto do mate com a água a um minuto da fervura.

O médico que fez a cirurgião me ludibriou. Antes dela ele disse que eu só precisaria cuidar pra não pegar sol, não fazer esforço, ficar em repouso, e não comer nada muito sólido. Aí depois da cirurgia ele surgiu com está de que eu não podia tomar nada quente. Isso não se faz.

Agora aqui estou eu. Preso em casa e sem o amado chimarrão. Pelo menos ainda me resta o gostoso copo de leite com achocolatado.

AH, OS VELHOS TEMPOS

Eu nasci na época errada. Não que eu não goste do tempo em que vivo, toda essa tecnologia e opções, mas eu sinto falta de algo. Toda a globalização deixou o mundo meio chato, uma cultura muito massificada. Falta um movimento, uma nova onda.

Antigamente as pessoas se identificavam com o que liam, ouviam ou assistiam. Hoje elas , em sua grande maioria, só se identificam com a moda do momento, o último programa da televisão, com o que todo mundo está lendo. E assim elas vão migrando de uma moda à outra. Sem realmente ir fundo em algo e assumir aquilo como preferência. As pessoas estão extremamente momentâneas.

Hoje ninguém está nem aí pra muita coisa, consomem massivamente produtos pré-fabricados e esquecem a qualidade. Talvez o que falte seja o “politicamente incorreto”, o “faça você mesmo”. Algo que um dia você vai contar pros netos, como meus avós me contam: “No meu tempo, os Beatles eram um máximo, a gente saia na rua protestar, e às vezes esquecia do mundo e só queria se divertir”.

Quem viveu em décadas passadas pode falar, “no meu tempo nós praticávamos o flower power, usávamos umas droguinhas, mas tínhamos uma ideologia”, ou ”vivíamos um lifestyle sexo, drogas e rock’n'roll, o punk tava em alta e éramos realmente rebeldes”. E nós? O mundo anda meio sem graça, não acha?

NOSTALGIA

cadernosHoje eu e meu irmão estávamos esvaziando um armário para a mudança e, dentro dele, encontramos nossos materiais de aula. Cadernos, livros, agendas e outras coisas de vários anos. Acho que desde nossas vidas escolares no primário até o fim do ensino médio. Como o tempo não está sendo problema, afinal somos extremamente incompetentes, claro que paramos para olhar um por um. No final, cheguei a várias conclusões:

- Até a oitava série eu era nerd, só notas boas, matéria sempre em dia, tarefas sempre feitas, vários elogios nas provas e trabalhos. Mas olhando meus cadernos hoje, eu acho que eu era uma pessoa estranha, com uma vida social mínima. Isso não mudou muito. Minhas notas caíram, minha vida social ficou muito boa, mas ainda sou um pouco estranho.

- Matemática é meu forte desde criança, já português sempre foi meu ponto fraco. Ironicamente, quando a inversão de valores do parágrafo acima ocorreu, eu me tornei muito bom em português, mas nunca decaí em matemática, claro. No primeiro ano do ensino médio comecei a cultivar o gosto por história, artes e cultura, porém, mais ironicamente ainda, é que naquele ano eu peguei minha primeira prova final, advinha em quê? Sim, em artes!

- No meio do material do meu irmão, ele achou vários bilhetes de seus casos colegiais. Eu não, porque nunca fiz/recebi um bilhete desses. Minha vida amorosa nunca se deu no colégio e nem com pessoas dele. Mas mesmo com minhas paqueras a parte, não rolava esses bilhetinhos. Talvez por isso eu nunca namorei. Acho que eu cultivo muito meus amores platônicos, que já comentei aqui e, apesar de quase sempre muito improváveis, eu fico acreditando que vão se concretizar, e os casos da vida real, nunca passam de casos.

Esses últimos dias eu relembrei deveras meu passado. Fotos, brinquedos, esses materiais de aula. Estou ficando velho. Um dia vou fazer um post sobre minha teoria de porque acho que estou ficando velho.

Boa semana pessoas, deem (sem acento) notícias, abraço,

Luís.

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